Blaya: “Ser mãe trouxe novos temas e novas perspetivas para as minhas músicas”

Ao longo de uma carreira marcada por energia, atitude e autenticidade, Blaya tem explorado diferentes sons e histórias que a definem como artista. Nos últimos anos, a maternidade entrou na sua vida, trazendo-lhe novos temas, mais sensibilidade e uma perspetiva renovada sobre a sua música.

Este ano prepara-se para celebrar os 20 anos dos Buraka Som Sistema no NOS Alive, enquanto mantém viva a sua própria criatividade, explorando sonoridades que vão do Brasil a Portugal, com influências afro e a promessa de muita “jinga”.

 

“Oh Mãe, Oh Pai” mostra a realidade do dia a dia de muitos pais com humor e verdade. Como surgiu a ideia de transformar o caos da parentalidade numa música?

Esta música nasceu numa fase em que o meu namorado passava muito tempo fora, sobretudo aos fins de semana, por causa dos concertos. Num desses dias, o Theo chamou-me mil vezes e eu estava exausta. Às vezes o cansaço fala mais alto e, como andava mais sensível, comecei a escrever quase como um desabafo. Comecei a canção a chorar, mas a meio percebi que queria falar do mesmo caos com humor. Continuei a desabafar, mas de forma mais leve e divertida.

 

Na letra, falas de noites sem dormir, birras e refeições intermináveis. Qual foi o momento mais dramático ou divertido que te inspirou a escrever a canção?

Todos os dias são um novo aprendizado, por isso ando e a colecionar momentos dramáticos e divertidos desde que a minha filha nasceu, há 8 anos.

Queres partilhar connosco algum episódio ou memória desta fase da tua vida?

Há pequenos episódios que se repetem todos os dias: perguntarem dez vezes o que vai ser o jantar, demorarem uma eternidade a lavar os dentes…São coisas simples, mas tão reais, que acabam por dizer muito sobre esta fase da vida.

 

Ser mãe mudou a tua relação com a música? Há algo que crias ou sentes de maneira diferente hoje?

Ser mãe trouxe novos temas e novas perspetivas para as minhas músicas. Ver um ser humano a crescer tão de perto acaba, inevitavelmente, por inspirar e por mudar a forma como sinto e escrevo.

A tua música mistura humor, crítica e verdade. Há algum tema ou experiência que ainda não exploraste e que gostarias de trazer num futuro projeto?

Durante muitos anos explorei muito o tema de ser uma mulher independente, livre e solta. Desde que lancei o álbum “Lado B”, sinto-me mais à vontade para escrever sobre outros assuntos. Gostava muito de fazer uma canção sobre a menstruação, ainda vou fazer, de certeza!

 

Para quem acompanha a tua carreira desde o início, como descreves a Blaya de hoje comparada com a Blaya de alguns anos atrás?

A Blaya de hoje é a mesma de há alguns anos, mas com mais bagagem. Nada mudou, apenas foi acrescentado.

 

Tens uma presença e identidade fortes. Achas importante abordar nos teus temas aquilo que preocupa ou marca a vida das pessoas?

Acabo sempre por escrever sobre coisas que têm a ver comigo ou com alguém próximo. Deixei de cantar sobre sair à noite e “abanar a raba” porque já não fazia parte da minha vida, nem da das pessoas à minha volta. Para mim, é essencial que exista ligação entre a canção e o artista.

 

Com o regresso dos Buraka Som Sistema ao NOS Alive em 2026 e a celebração dos 20 anos da banda, como é voltar a revisitar esse universo e essa fase da tua carreira? Que memórias ou inspirações esse regresso traz para ti?

Estamos a celebrar os 20 anos dos Buraka e vai ser um concerto histórico. Apesar do tempo que passou, sinto que a nossa química enquanto banda continua intacta. Guardo memórias incríveis: viagens, concertos sem parar e tudo o que me ensinaram neste percurso.

 

O que podemos esperar de ti para este novo ano? Há novos singles, projetos ou colaborações que possas adiantar?

Este ano vou continuar a explorar sonoridades do Brasil e de Portugal, trazendo também influências afro. Vai ser um ano cheio de jinga e movimento tropical. Quero ainda gravar versões acústicas das minhas músicas mais ouvidas. Estou muito entusiasmada com tudo o que aí vem.

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