Conheça o trabalho da Why Portugal na internacionalização da música portuguesa

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Fundada em 2016, a Why Portugal é uma associação sem fins lucrativos que tem como objetivo promover a internacionalização das carreiras dos músicos, agentes, produtores portugueses através da presença de comitivas nacionais em festivais de música internacionais. “Temos uma missão de capacitação de artistas e managers portugueses para, no futuro, construir uma carreira e uma estratégia internacional”, diz o coordenador internacional da Why Portugal, Guilherme Dourado.

Guilherme Dourado

A fundação do export office Why Portugal aconteceu no contexto do Festival Eurosonic 2017. “Costuma ser hábito em muitos festivais haver um foco maior em certos países em cada edição. Quando se soube em 2016 que o foco [do Eurosonic] de 2017 ia ser em Portugal, com cerca de doze artistas portugueses, e não havia um export office, houve o contexto certo para o fazer e criou-se o export office de música portuguesa”, explicou Guilherme.

O Eurosonic é um festival de música para artistas emergentes que acontece em janeiro na Holanda, com quem a Why Portugal continua a colaborar todos os anos e que “consegue atrair mesmo muita gente da indústria da música no mundo”. Para além deste, Guilherme aponta como outras principais colaborações: o Festival Reeperbahn (Hamburgo), Festival The Great Escape (Brighton), Festival Babel (Marselha), o Festival Trans Musicales (Rennes), o Mercat de Música Viva de Vic, o Monkey Week SON Estrella Galicia e o WOMEX, todos em Espanha e o Zandari Festa (Coreia do Sul).

“Estes festivais profissionais são portas de entrada para os nossos músicos, uma vez que atuam perante plateias profissionais que, se gostarem, podem contratá-los para os seus eventos, festivais, podem agenciá-los”, aponta Rita Rosseau, a consultora de comunicação da Why Portugal.

Rita acrescenta ainda que em muitos países, o trabalho feito pela Why Portugal é feito pelo Ministério da Cultura do país, o que lhes dá outro nível de apoios. “Os outros países também têm estruturas de apoio que muitas vezes partem do Estado, nós não, e, portanto, quando a estrutura não parte do Estado, é muito mais difícil ter esse tipo de alavanca”, referiu.

A Why Portugal possui o apoio da AUDIOGEST e da Fundação GDA, que “fazem parte da direção e são financiadores da Why Portugal”. Guilherme defende que estas “são duas entidades importantíssimas para que o export office consiga funcionar”. Para além disso, a Why Portugal? também pertence à EMEE – European Music Exporters Exchange. Os apoios tornam-se importantes uma vez que “os showcases não pagam cachês, na maior parte das vezes, são sempre ajudas de custo”.

Reprodução Facebook

Ana de Llor, cantora portuguesa residente em Londres há 11 anos, começou a colaborar com a Why Portugal em janeiro deste ano, quando atuou no festival Eurosonic. “Tem sido uma viagem  incrível, aconteceu o Eurosonic, depois também acabei por fazer o Westway – LAB em abril, em Guimarães, e fiz agora duas datas também no The Great Escape em Brighton, aqui no Reino Unido”. Guilherme acrescenta que “a Ana é um excelente exemplo de um caso que está a correr bastante bem” na Why Portugal? e destacou ainda a banda MÁQUINA, que tocou na arena e horário principal do Eurosonic no ano passado, e que já são “uma cena mesmo muito grande nos circuitos showcase na Europa”.

Ana começou a carreira musical em Londres quando lançou o seu primeiro EP “Not Your Holy Ghost” em 2023. Refere que quando se mudou para Londres, sentiu a diferença na seriedade que os artistas são tratados. “Aqui sempre houve essa mentalidade que ser artista é uma profissão, e isso na altura em Portugal eu não sentia assim tanto”. No entanto, elogia o percurso que a música portuguesa tem feito nos últimos anos. “Tenho gostado muito de ver como Portugal tem crescido musicalmente, acho que temos muito talento”.

Já Guilherme aponta como principal diferença entre o mercado de música nacional e estrangeiro “o número de bandas e artistas que são programados nos festivais e showcases, e por consequência o número de delegados que vão”, devido à pequena dimensão do país e do mercado. “No Festival The Great Escape tivemos cinco bandas portuguesas e todas tocaram duas vezes, mas, por exemplo, a Irlanda teve pra aí vinte bandas ou mais, e tocaram mais do que uma vez provavelmente”.

Guilherme considera mesmo a colaboração com o último festival The Great Espace, decorrido este mês, como um dos melhores feitos da Why Portugal. “Passámos de ter zero bandas portuguesas há dois anos para ter cinco bandas este ano.”

No futuro, Rita espera que o trabalho da Why Portugal continue a fazer “crescer o número de festivais e o número de artistas [portugueses] em cada festival” e ambiciona que “os artistas que estão nos circuitos showcases consigam sair desse circuito e ir para o circuito de festivais normais, que não são para a indústria, são para o público geral”.

Guilherme acredita que “daqui a uns anos vamos conseguir comparar-nos a países como Espanha ou Irlanda, que têm uma capacidade financeira muito maior e, portanto, conseguem ter uma mão na indústria e uma participação na indústria muito maior que a nossa.”

Ana de Llor, com novo álbum apontado para depois do verão, confessa que desde que começou a internacionalização da sua carreira tem notado que o seu público “está a ficar mais diverso”. Dado o caminho que a sua música está a levar, o seu principal objetivo agora é fazer uma ponte e uma troca contínua musicalmente entre o Reino Unido e Portugal”.

Esta semana contou com o anúncio de quatro nomes portugueses no Festival Reeperbahn em Hamburgo em setembro deste ano: Evaya, Hetta, IBSXJAUR, Scuru Fitchadu.

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