Dia Mundial da Dança com espetáculos em todo o país e “Os Maias” da CNB na Polónia

A Companhia Nacional de Bailado (CNB) assinala o Dia Mundial da Dança, na quarta-feira, com a apresentação do bailado “Os Maias”, na Polónia, enquanto dezenas de iniciativas, entre espetáculos, oficinas e performances, decorrem por todo o país.

Instituído em 1982 pelo Comité Internacional da Dança da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Dia Mundial da Dança celebra-se anualmente em 29 de abril, assinalando o nascimento de Jean-Georges Noverre (1727-1810), considerado fundador e um dos pioneiros do bailado moderno.

No âmbito da efeméride, a CNB apresenta “Os Maias”, a 29 e 30 de abril, no Teatro Wielki Łodzi, numa atuação integrada no Lodz Ballet Festival, na Polónia, numa coincidência programática com a data comemorativa.

A criação, estreada em outubro de 2025 no Teatro Camões, é um bailado em três atos baseado na obra homónima do escritor Eça de Queirós (1845-1900), com coreografia de Fernando Duarte, diretor da CNB, curadoria musical de Andrea Lupi e interpretação ao vivo do pianista António Rosado, com solistas da Orquestra de Câmara Portuguesa.

O bailado cruza a intensidade dramática do universo literário de Eça de Queirós – o autor que rompeu com o estilo romântico e desenhou o retrato mais fiel e crítico do Portugal da sua época – com a expressividade da linguagem coreográfica contemporânea, numa leitura cénica que articula narrativa, música e movimento.

Em paralelo, a CNB promove em Lisboa uma sessão especial do Clube de Leituras Dançadas, no Teatro Camões, dedicada à obra da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919–2004), distinguida com o Prémio Camões, galardão de maior prestígio para o universo literário da língua portuguesa.

O projeto aberto ao público cruza dança, leitura e performance, com criação e orientação de Paulina Santos, interpretação de Inês de Serra e Moura e Filipe Tordo ao piano.

Também a companhia balleteatro assinala a data com programação simultânea no Porto e em Bragança: no Teatro Municipal de Bragança é apresentada “Esta Hora de Espanto”, de Né Barros, uma criação em tom de drama que convoca imagens de um futuro marcado pela fragilidade dos corpos.

A mesma companhia apresentará no Coliseu Porto Ageas o espetáculo “Limiar”, com direção de Ana Beatriz Meireles, reunindo alunos do 2.º ano do curso de Dança e seniores da Associação Monte Pedral, numa proposta que explora “o espaço de encontro entre corpos, linguagens e gerações”, segundo um comunicado do balleteatro.

“Fluxos”, de Francisca Lima, é outra das criações previstas no programa de celebrações interpretada por alunos da escola profissional, explorando relações entre gerações, coletivo e individualidade.

Em Viseu, o Teatro Viriato apresenta, a 30 de abril, “FΛRSΛ”, de Catarina Miranda, uma peça para três intérpretes e uma máquina cénica que investiga mecanismos de perceção, ilusão e construção da realidade, inspirada na Alegoria da Caverna de Platão.

Resultado de um trabalho no campo da voz e da oralidade, o espetáculo aborda o papel da linguagem “enquanto veículo de construção e distorção do real”, propondo a desconstrução de uma narrativa única, sustentando que a perspetiva e o enquadramento influenciam aquilo que entendemos como facto.

Em colaboração com o compositor Jonathan Uliel Saldanha, a criação sonora da peça articula vozes humanas e digitais, explorando construções vocais artificiais que evocam um imaginário coletivo, acrescenta a informação do teatro.

Nos Estúdios Victor Córdon, em Lisboa, a programação inclui ainda a exposição de fotografia “Remánence”, de Estelle Valente, uma sessão de prática diária para profissionais com Rita Ferreira, uma ‘jam session’ orientada por Daniel Matos com participação de Márcia Lança, e um baile de Marrabenta integrado no programa “Bailar o Mundo”, com Dinís Quilavei e José Jalane.

Em Setúbal, a Academia de Dança Contemporânea da cidade (ADCS), dirigida por Iolanda Rodrigues, apresenta “Histórias de Mábi”, no Fórum Municipal Luísa Todi, com sessões para público escolar e famílias, no âmbito da Semana da Dança.

Mais a sul, em Faro, o Teatro Lethes recebe “(Des)humanos”, pela Companhia de Dança Reticências, uma criação que reflete sobre a condição humana e as tensões entre instinto, consciência e identidade.

O Dia Mundial da Dança continua a mobilizar instituições, artistas e públicos em todo o país, afirmando-se como uma das principais datas que recorda o valor da criação coreográfica contemporânea e do património da dança.

Neste contexto, na próxima quarta-feira, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, entrega a Medalha de Mérito Cultural à bailarina e coreógrafa Olga Roriz, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

A sessão antecede a apresentação do novo solo de Roriz, “O Salvado”, a sua mais recente criação, estreada no verão do ano passado no âmbito dos seus 50 anos de carreira, obra em que assume fazer um “autorretrato completo” do seu percurso, como disse então, em entrevista à agência Lusa.

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