Num tempo marcado por incertezas e transformações profundas, “Em Liberdade”, de Diana Vilarinho, surge como uma afirmação artística que cruza inquietação, reflexão e sensibilidade. Mais do que um conjunto de canções, o disco apresenta-se como um manifesto íntimo sobre o mundo contemporâneo, onde a tradição dialoga com a urgência de dizer algo novo. Nesta conversa, a artista revela o processo criativo, as colaborações que deram forma ao projeto e a forma como a música pode ser um espaço de pensamento, questionamento e, sobretudo, liberdade.
“Em Liberdade” é apresentado como um manifesto, em que momento sentiste necessidade de fazer essa afirmação artística?
Sinto que todos nós estamos a viver momentos delicados no mundo e nesta fase apetecia-me cantar precisamente sobre o que vou sentindo e vivendo sobre a humanidade. A liberdade que conhecemos não foi sempre assim e não é também um dado adquirido, como temos assistido, e por isso acredito que a música e a arte servem não só para entreter mas para ajudar a pensar.
Como equilibrar o respeito pela tradição com a vontade de inovar?
Citando Gustav Mahler: “ A tradição não é a adoração das cinzas mas sim a preservação do fogo.”
Em que momentos te sentes verdadeiramente “em liberdade”?
Cada vez que penso ou discuto livremente.
Como foi trabalhar com a Rita Dias e o André Santos neste tema?
Foi muito bom. A Rita é uma grande compositora de quem eu já sou fã há muito tempo, assim como, o André que foi também o produtor do disco e fomos sempre trabalhando lado a lado.
Há uma narrativa ao longo do álbum ou cada tema funciona como uma carta independente?
Este disco é como se fosse uma carta escrita para o futuro sobre vários temas ou pensamentos que me foram inquietando e senti necessidade de os cantar.
O que queres que o público leve consigo depois de ouvir este disco?
Não tenho nenhuma intenção concreta. O que me deixaria feliz é que quem o ouça o sinta e se identifique com a sua própria interpretação, uma que lhe faça sentido e lhe toque de alguma forma.
Se este disco fosse uma mensagem, qual seria?
Mais amor, humanidade e comunhão.
