O espetáculo “Dr. Frankenstein”, que Raquel S. criou a partir de “Frankenstein”, de Mary Shelley, vai ser apresentado no teatro anatómico da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), de 24 a 30 de julho.
O espetáculo, de entrada gratuita, foi criado a partir do romance de Mary Shelley, datado de 1818, um dos mais reconhecidos livros de sempre, e marca também a estreia de Raquel S. como intérprete, de um texto que assina.
“Pela primeira vez, vou ser intérprete do meu próprio texto, porque, na escrita e na pesquisa, fui descobrindo que o Dr. Frankenstein é também acerca do que é escrever e do que é usarmos retalhos da nossa vida para pensar artisticamente”, nota a dramaturga, que assume também a direção artística, citada em comunicado da FMUP.
O monólogo, produzido pela Noitarder com a parceria da faculdade, reflete “acerca da prática artística enquanto forma de observação”.
“Tal como a medicina precisa de distância, também o trabalho artístico exige, mesmo sem ser científico, um olhar que observe e encontre formas de repensar”, adiantou a criadora.
O teatro anatómico, um espaço orientado para o estudo e ensino da anatomia humana, é aqui aproveitado para traçar “o caminho entre as curas medievais e a experimentação científica”, pensando no cruzamento “entre medicina, ciência, magia e literatura enquanto lugar de conceção de novos mundos possíveis e de novos olhares”.
Este espetáculo segue o trabalho de “peças de pensamento” da Noitarder, fundada em 2018, tendo Raquel S. assinado também “Longe” (2018) e “Ruído” (2021), também relacionando ciência e teatro.
Num texto sobre o espetáculo, Raquel S. refere-se a “Frankenstein”, livro que Mary Shelley chamou, no prefácio da segunda edição, a sua “descendência medonha”, como um ponto de partida, sem se cingir apenas à obra.
“A medicina científica permitiu ao humano um novo olhar sobre si próprio, quase ver-se de fora — diz-se, muitas vezes, que o sujeito se transforma em objeto. A literatura e, neste caso, a escrita de Mary Shelley, também criou um olhar eloquente, mas não humano, que permitiu ver a humanidade ‘de fora’, do lugar de quem observa. O erro olha-nos de volta”, escreveu.
Raquel S., na sinopse, diz escrevê-la “à espera do relâmpago”. “O que quero tornar objeto? Como é que a distância técnica da criação artística, como a da medicina, permite que nos vejamos de fora, por fora e para fora?”, apontou.
“Dr. Frankenstein”, nono espetáculo da companhia, com direção de produção de Belisa Branças, será apresentado, com entrada gratuita mas mediante reserva, pelas 19:00 dos dias 24, 25, 28, 29 e 30 de julho.