Festival de cinema de Tallinn com cinco filmes portugueses na competição

Cinco filmes portugueses, entre os quais “18 buracos para o paraíso”, de João Nuno Pinto, e “Cão Sozinho”, de Marta Reis Andrade, estão integrados na competição do Festival de Cinema de Tallinn, em novembro, na Estónia, anunciou a organização.

Na competição internacional do Black Nights Film Festival (PÖFF), concorrendo ao grande prémio, vai estar em estreia mundial o filme “18 buracos para o paraíso”, de João Nuno Pinto.

Esta é a terceira longa-metragem de ficção do realizador, juntando-se a “Mosquito” (2020) e “América” (2010), e conta com produção da Wonder Maria Filmes. É também o primeiro filme português a ser certificado pela Green Film, um projeto internacional que reconhece produções de cinema e televisão feitas de forma sustentável.

A história, escrita por Fernanda Polacow, segue duas irmãs a braços com a venda de terras do pai, que morreu, situadas no interior sul do país, numa área afetada pela seca, pelos incêndios e pela especulação imobiliária.

O elenco integra nomes como Margarida Marinho, Beatriz Batarda, Rita Cabaço, Jorge Andrade, Luísa Ortigoso, Günther Götsch e Rita Redshoes.

Dentro do festival de Tallin decorre uma linha de programação dedicada aos mais jovens, no qual figura, na competição internacional, o filme “Terra Vil”, primeira longa-metragem de Luís Campos.

O filme é uma ficção que aborda vários temas, sobre uma sociedade patriarcal, a família, a adolescência e a ruralidade e é interpretado por William Cesnek, Lúcia Moniz, Ruben Gomes, António Capelo, entre outros.

Na competição de curtas-metragens estão presentes as animações “Cão Sozinho”, de Marta Reis Andrade, e “Porque hoje é sábado”, de Alice Eça Guimarães.

“Cão Sozinho” parte da “história real de um cão deixado ao abandono na sua própria casa, no tempo em que o meu avô começou a experienciar a sua viuvez e eu regressava de Londres, lugar onde me senti mais sozinha que nunca”, refere a sinopse, escrita na primeira pessoa.

“Porque hoje é sábado” é protagonizado por uma mulher que procura ter tempo num sábado, supostamente dia de descanso, mas que acaba por ser ocupado com o trabalho invisível.

“O trabalho invisível é a gestão de todas as tarefas que permite a uma família funcionar: planear idas ao médico, refeições, horas de trabalhos de casa… tarefas que se adicionam ao trabalho doméstico gratuito, cuja responsabilidade recai geralmente nas mulheres”, explica a realizadora em nota de intenções.

A curta-metragem “A solidão dos lagartos”, de Inês Nunes, também compete em Tallin, depois de já ter estado em Cannes e ter sido premiada no festival de San Sebastián.

O filme foi rodado numa zona de salinas, no Algarve, que serve como “uma espécie de microcosmos” sobre “a convivência entre o turismo e o trabalho, entre o lazer, as férias e outro tipo de responsabilidades”, pode ler-se na sinopse.

A todos estes filmes junta-se também “Fille de l’eau”, curta-metragem de animação de Sandra Desmazières, que conta com coprodução minoritária portuguesa pela produtora Animais.

A 29.ª edição do festival PÖFF decorrerá de 07 a 23 de novembro.

Fonte: LUSA

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