Filipe Pinto venceu o Ídolos há mais de dez anos e, desde então, reinventou-se em cada etapa do seu percurso: do curso de Engenharia Florestal à formação na London MusicSchool, da digressão “Band in a Van” aos palcos dos grandes festivais. Autor de “Cerne” e “E Tudo Gira” e criador do projeto “O Planeta Limpo do Filipe Pinto”, combina hoje música e educação ambiental para inspirar públicos de todas as idades – e prepara já o terceiro álbum, que promete novas paisagens sonoras.
Já passaram mais de 10 anos desde que venceste o Ídolos. Quando olhas para trás, o que te surpreende mais no teu percurso até aqui?
O que me surpreende é a vida (risos). Nunca planeei tudo o que aconteceu. Senti a sorte de ver oportunidades a cair no meu caminho e procurei agarrá-las da melhor forma. Houve decisões que provavelmente faria diferente hoje e outras que me alegram por ter tomado exatamente como foram. Recordo com muita alegria todos os momentos: antes, durante e depois do Ídolos. Eu não me teria dedicado à música como faço atualmente se não fosse a entrada no programa.
Depois da vitória, terminaste a licenciatura em Engenharia Florestal e partiste para Londres para estudar na London Music School…
Quando o programa acabou, surgiram propostas de editoras para gravar discos, mas senti que não estava preparado musicalmente. Decidi terminar primeiro o curso de Engenharia Florestal e só depois assumi o risco de ir para Londres, onde passei cerca de um ano na London Music School a ganhar técnica e confiança antes de lançar o meu primeiro álbum.
Depois do teu ano em Londres, nasceu o teu primeiro disco, “Cerne”. Como se deu esse processo?
O meu ano na London Music School foi intenso, não só pela formação, mas também pela visibilidade que ganhei. Nessa altura, várias pessoas quiseram inscrever-se na mesma escola. O diretor achou incrível e deu-me a oportunidade de escolher duas disciplinas extra, então optei por guitarra e piano. Além disso, frequentei produção, técnica vocal e songwriting, e usei o estúdio da escola para gravar as minhas primeiras maquetes. Já de regresso a Portugal, reuni-me com vários produtores e músicos para transformar essas demos no álbum “Cerne”.
“Cerne”, deu origem a uma digressão muito original, a “Band in a Van”, e depois participaste em grandes festivais como o Meo Sudoeste. Olhando para essa fase, como achas que ela moldou a tua relação com o público?
Foi um ano muito intenso. Na “Band in a Van” andámos de carrinha na rua a cantar para as pessoas, e no MEO Sudoeste tive a oportunidade incrível de abrir para os TheNational. Mas, para mim, o verdadeiro clique aconteceu quando estive em Londres: ali não conhecia ninguém e podia respirar sem ser reconhecido em todo o lado: nafaculdade, viagens, supermercado… De volta a Portugal, senti uma vontade imensa de mostrar ao público o que tinha construído naquele ano.
Um dos teus maiores projetos paralelos à música foi “O Planeta Limpo do Filipe Pinto”, que já tocou a vida de milhares de crianças em todo o país. Como surgiu a ideia de unir música e educação ambiental?
São as minhas duas grandes paixões. Mesmo no Ídolos, sempre que fazíamos vídeos de promoção eu aproveitava sempre para ir a lugares onde a componente ambiental estivesse presente. Mais tarde, um patrocínio da APC Instrumentos trouxe-me acesso a instrumentos como cavaquinhos e violas caipiras, com uma sonoridade mais melodiosa. Em paralelo, a empresa Betweien propôs desenvolvermos algo em conjunto e surgiu o “O Planeta Limpo do Filipe Pinto”.
Queria um projeto infantil que não fosse só canções, mas que tivesse um sentido crítico e incluísse a minha formação em Engenharia Florestal. A minha primeira editora ficou um pouco receosa, mas eu senti que era um lado meu ávido por se revelar. Oprojeto ganhou corpo: virou livro, jogo e DVD, e já tocou a vida de milhares de crianças por todo o país.
Como evoluiu o projeto ao longo dos anos?
O projeto mantém-se ativo e tem crescido de forma significativa. Já é, creio, o livro infantil mais vendido em Portugal – vendemos cerca de 70 000 exemplares ao longo destes 12 anos. A partir dele, realizo sessões em escolas e autarquias onde abordo temas como água, floresta, reciclagem e solos: faço perguntas às crianças, enceno um mini-teatro e canto as músicas do projeto. Não encaro isto como teatro musical, mas antes como teatro pedagógico, porque une entretenimento a conteúdos ambientais.
Ao longo dos anos, foram lançados novos títulos da mesma coleção, e recebo regularmente mensagens de professores e pais a contar como as sessões mudaram hábitos – há crianças que avisam os pais para fecharem a torneira enquanto tomam banho. Saber que este trabalho semeia a preocupação ambiental e passa a fazer parte do dia a dia dos mais novos deixa-me orgulhoso e muito feliz.
Como evoluiu a tua música desde 2012 e o que preparas para o futuro?
A minha visão musical mudou bastante. Hoje escuto muitas sonoridades eletrónicas e quero explorar essa vertente no meu próximo trabalho. Fiz uma pequena pausa por motivos familiares, mas regresso em breve com o terceiro disco, que será mais eletrónico, mantendo ainda algumas faixas de rock e baladas. Na verdade, o álbum “Telhados de Vidro” está pronto desde a pandemia e quero muito lançá-lo.
Como equilibras hoje a música e a educação ambiental?
Estou igualmente focado nos dois projetos: continuo a desenvolver “O Planeta Limpodo Filipe Pinto” e, ao mesmo tempo, preparo o lançamento do novo álbum. Para mim, são paixões complementares que me permitem tocar públicos muito diferentes e ter um impacto positivo.