Depois de conquistar o público ao vencer o The Voice Portugal apenas com 16 anos, Gustavo Reinas continua a construir o seu caminho na música portuguesa. O jovem artista acaba de lançar o EP Latitude 40°, um projeto composto por cinco temas que refletem diferentes emoções, experiências e sonoridades. Nesta conversa, fala sobre a origem do nome do EP, o processo criativo, as inspirações que o acompanham e os objetivos que traça para os próximos anos.
“Latitude 40°” é o título do teu novo EP. Como surgiu este nome?
Latitude 40º primeiro porque é um EP totalmente português e Portugal encontra-se precisamente na linha 40 de latitude e achei interessante fazer essa ligação.
Nos últimos dois anos, período em que este trabalho foi construído, a minha vida dividiu-se muito entre Lisboa, onde estudo, e Nelas, de onde sou natural. Curiosamente, o ponto por onde passa a Latitude 40° em Portugal fica sensivelmente entre essas duas cidades. E nós achamos piada, ou eu, pessoalmente, acho piada e fazia sentido algo deste género.
Também quis que fosse uma homenagem às pessoas que participaram neste projeto. Muitos vivem ou estudam em Lisboa, mas são naturais de várias zonas do país, como Faro, Beja, Portalegre, Aveiro ou Leiria. Acaba por ser uma celebração dessa descentralização.
Quando percebeste que já tinhas material suficiente para criar um EP? Houve músicas que ficaram de fora?
Houve algumas canções que ficaram de fora, curiosamente. A maioria dos temas nasceu durante um writing camp que realizámos em abril do ano passado, precisamente com o objetivo de criar um conjunto de músicas para este projeto.
Desse processo acabaram por ficar três canções. As outras duas surgiram noutros momentos. A última faixa do EP foi escrita mais tarde porque sentia que faltava uma balada mais clássica. Escrevi-a com a Inês Apenas e acabou por completar aquilo que eu imaginava para o disco.
E foi um bocadinho isso. Mas houve canções que ficaram de fora, sim. Que foram para a gaveta e um dia, se calhar, vão ver a luz do dia.
Mas para já não há um destino assim tão próximo.
Qual foi o maior desafio durante a criação deste trabalho?
O primeiro foi escolher o nome do EP porque eu sou capaz de ser das pessoas mais indecisas à face da terra. Durante algum tempo pensei dar-lhe o nome de uma das músicas, mas depois percebi que queria algo com um significado mais profundo.
Claro que houve também as dúvidas normais: qual deveria ser o single, se determinada canção fazia sentido ou não. Mas o maior desafio foi mesmo encontrar um título que me fizesse mesmo muito sentido. E felizmente chegamos lá.
Todos os temas são acompanhados por visualizers realizados por Sebas Ferreira. Era importante essa componente visual?
Para mim é muito importante esta dicotomia entre a música e o vídeo. As pessoas acabam por ser muito visuais e associam uma canção à imagem que a acompanha.
Sou um grande admirador do trabalho do Sebas Ferreira, tanto na fotografia como no vídeo. Eu também gosto muito de fotografia e identifico-me bastante com a estética dele.
E quando propusemos, ou seja, e quando eu propus o nome do Sebas para fazer estes visualizers fiquei mesmo contente por ele ter aceite.
Criámos uma identidade visual específica para cada tema, com cenários e cores diferentes. Queríamos que cada música tivesse a sua própria personalidade visual. Fiquei muito feliz por ele ter aceitado participar neste projeto.
O que gostavas que as pessoas sentissem ao ouvir “Latitude 40°” pela primeira vez?
Gostava que sentissem que são cinco canções para cinco mundos diferentes.
É um EP bastante versátil. Temos temas mais urbanos, outros mais românticos, músicas mais energéticas e outras mais intimistas.
“Faz-me vontade” é a canção um bocadinho mais urbana do EP todo. O “tempo a passar” é a baladinha. O “Deixo o Número Aqui” é a canção mais verão, do ponto de vista… Ou seja, é o que tem os BPMs mais altos.
A “Rota de Colisão” é a canção, na minha opinião, com mais power do EP todo. Ou seja, é a maior, digamos assim.
E “Se é saudade” é a canção mais quentinha, porque se calhar é a canção mais honesta. Ou seja, há de tudo. São cinco canções, mas há de tudo e para todos os gostos.
Quero que quem ouça o EP completo perceba que sou uma pessoa versátil e que essa diversidade está refletida na música. É uma viagem e, de certa forma, essa ideia também está ligada ao conceito da Latitude 40°.
As tuas letras são inspiradas em experiências pessoais?
Essa é uma pergunta clássica. Normalmente escrevo com outras pessoas e raramente estou sozinho a criar uma canção do princípio ao fim. Isso porque eu gosto mesmo de trabalhar com as outras pessoas, não é?
É possível que existam influências inconscientes das minhas experiências, mas as músicas não falam diretamente sobre mim. Não são relatos de histórias específicas da minha vida. São mais conceitos e emoções que qualquer pessoa pode sentir ou viver.
Quais são as tuas maiores inspirações musicais?
Sou um grande apaixonado pela música portuguesa. Tenho referências internacionais, claro, mas as minhas maiores inspirações são nacionais.
Destaco especialmente Rui Veloso, António Zambujo e Jorge Palma. São artistas que admiro pela carreira, pelas canções, pela forma como interpretam e comunicam emoções através da música.
Muitos vencedores de programas de talentos têm dificuldade em consolidar uma carreira. No teu caso, tens conseguido manter um percurso consistente. Como explicas isso?
Acho que tem muito a ver com o facto de gostar verdadeiramente disto. Desde pequeno senti que era este o caminho que queria seguir.
Não sou uma pessoa particularmente obcecada por números ou metas gigantes. O meu principal objetivo é que as pessoas ouçam as minhas canções, se identifiquem com elas e sintam alguma coisa.
E acho que tenho feito isso porque quero muito. É aquele querer muito isto, querer muito chegar às pessoas, chegar cada vez mais a mais pessoas e que elas gostem das canções. E felizes por eu também estar a conseguir. Acho que é bom nós também ficarmos felizes pelo nosso artista e por quem estamos a torcer. Acho que é um bocado isso.
O Gustavo que venceu um programa de talentos aos 16 anos reconheceria o artista que és hoje?
Sem dúvida.
Nunca quis mudar a minha identidade para agradar a alguém. Sempre defendi a ideia de fazer as coisas à minha maneira.
Nunca lançaria uma música apenas porque alguém me disse que era uma boa aposta comercial. A decisão final tem de fazer sentido para mim. Por isso acredito que o Gustavo de 16 anos ficaria bastante feliz com o percurso que tenho feito.
Onde gostavas de estar daqui a cinco anos?
Gostava de ter dois álbuns lançados, continuar a tocar ao vivo, encher salas e festivais e sentir-me realizado. Ou seja, poder viver da música de uma forma confortável e ter a minha estabilidade tanto pessoal como profissional. Acho que é um bocadinho por aí.
Mais do que alcançar algo muito mainstream, quero sentir que existe um público que acompanha genuinamente o meu trabalho e que se identifica com aquilo que faço. Se isso acontecer, fico muito contente.
Para terminar, quando vamos poder ouvir “Latitude 40°” ao vivo?
Neste momento estamos a fechar várias datas para o verão. Se tudo correr como previsto, em breve haverá novidades nas minhas redes sociais e um pouco por todo o país.
Espero que as pessoas possam ouvir estas canções ao vivo muito em breve.