Os Bateu Matou iniciam em fevereiro uma residência, na Casa Capitão, em Lisboa, que é uma espécie de ‘baile de domingo’ e servirá de laboratório para o novo álbum do trio, a ser editado no final do ano.
De acordo com o músico Quim Albergaria, um dos elementos dos Bateu Matou, em declarações à Lusa, “a ideia é que se crie o hábito de olhar para ‘O Nosso Baile’ como aquele baile de domingo, da associação, onde se leva os putos, dá para fazer os trabalhos de casa e dá para dançar, e dá para aprender coisas, e partilhar coisas, acima de tudo”.
A primeira edição de “O Nosso Baile”, que “tem todos os contornos de ser uma casa”, está marcada para 22 de fevereiro e inclui três momentos: Sarapatel da Tia Flávia, entre as 12:00 e as 15:00, aquecimento com DJ set, entre as 14:00 e as 16:00, e concerto Bateu Matou no Chão, às 16:00.
A banda pretende que “O Nosso Baile” “se vá transformando e evoluindo para coisas diferentes”. “Estamos a pensar ter alguns ‘workshops’ também, o que não vai acontecer na primeira edição, e que a comida seja sempre diferente e tenha que ver connosco e com a nossa comunidade, e com Lisboa, com esta partilha de culturas que existe nesta cidade”, referiu Riot, outro dos elementos da banda.
Depois do Sarapatel (prato típico da cozinha goesa) da Tia Flávia, mãe do terceiro elemento do grupo, Ivo Costa, é possível que nas outras edições, que acontecerão uma vez por mês, possa haver cozido à portuguesa, muamba ou cachupa.
Na primeira edição de “O Nosso Baile”, o DJ set ficará a cargo dos Bateu Mateu, mas nos meses seguintes haverá convidados. “Possivelmente trazer DJ de outras áreas do planeta Terra a que não estamos muito habituados, era uma boa ideia e uma coisa que queremos fazer”, disse Riot.
Cada “O Nosso Baile” encerra com os Bateu Matou no Chão, ou seja, sem os músicos estarem em cima de um palco, porque esse é “o habitat natural da banda”. “É assim que funciona mesmo bem. Nós, olhos nos olhos das pessoas, ser tudo quase a mesma entidade, nós e público”, afirmou Quim Albergaria.
No final do ano, “O Nosso Baile” irá “transformar-se num álbum”.
“Em janeiro saiu o ‘EP1’, com quatro músicas que vão fazer parte do álbum. Há de sair outro EP, e outro EP e no fim transforma-se num álbum. Vamos utilizar estas residências também para testar, partilhar as músicas com as pessoas, perceber como é que funciona. É também um bocadinho um laboratório de proximidade”, referiu o músico.
De acordo com Ivo Costa, muitas das músicas que irão fazer parte do novo longa duração do grupo “já estão criadas”. “Este espaço permite-nos também testá-las, o que é uma vantagem. Quando pudermos gravá-las, já estão num estado de maturidade que para nós é interessante. Muitas já estão feitas, mas queremos deixar ainda espaço para uma surpresa ou outra até ao final do ano, quando o disco sair”, revelou.
Os Bateu Matou, uma “banda de baile 2.0”, editaram o álbum de estreia, “Chegou”, que conta com uma mão cheia de convidados, como Papillon, Héber Marques, Irma, Toty Sa Med e Blaya, em maio de 2021.
Quando Quim Albergaria, Ivo Costa e Riot se juntaram, a ideia do projeto não passava pela criação de originais nem lhes passava pela cabeça a gravação de um álbum, mas sim “criar uma experiência de dança que ficava ali numa espécie de hibrido entre um DJ ‘set’ e o que seria um concerto essencialmente à base de percussão”, explicou Quim Albergaria à Lusa, em maio de 2021.
Em março de 2024, editaram um novo álbum, “Batedeira”, que tem Rão Kyao, Rubi Machado, Del Groove, RAISSA e Miguel Pité como convidados.
Em janeiro deste ano, chegou “EP1”, que inclui “Dombolô”, tema que conta com a participação do cantor Paulo Flores.
Este mês, a banda participa no Festival da Canção. Os Bateu Matou estão entre os compositores convidados pela RTP para apresentarem temas para o concurso. A banda criou “Nos teus olhos”, tema que vai defender na primeira semifinal, em 21 de fevereiro.
Fonte: LUSA