Este espetáculo mergulha-nos num território onde a perceção da realidade se transforma constantemente, onde o tamanho das coisas depende do olhar de quem as vive. Como o ator partilha, “o facto de a realidade ser questionada tem a ver com a dimensão que damos às coisas, aos problemas, aos sentimentos”.
A partir de uma experiência pessoal intensa, “sem próteses, tenho 1,15 m de altura; com próteses, tenho 1,80 m”, constrói-se uma reflexão poderosa sobre superação e perspetiva. Em cena, cada gesto torna-se simbólico, cada obstáculo ganha novas proporções.
No centro está uma escolha: “ou continuas no barco e não sais do lugar, ou vais buscar o remo e o barco vai-se embora”. É essa encruzilhada que atravessa o espetáculo: entre o medo e o risco, entre desistir e avançar.
Porque, no final, fica a ideia essencial: “nenhum problema é maior do que nós, somos nós que lhe damos a dimensão que queremos”.
