A Orquestra Filarmónica Portuguesa estreia em absoluto, a 1 de outubro, na sala Luis Miguel Cintra do Teatro São Luiz, “Europeando: Quadros para um Continente”, com direção musical de Osvaldo Ferreira. A obra, composta por Sara Ross a convite da orquestra, é um díptico para dois cantores e orquestra, com a soprano Patrícia Modesto e o barítono André Henriques, e tem textos de Alexandre Honrado e Tiago Schwäbl.
A composição resulta de dois momentos criativos distintos. O primeiro, “Europa – metamorfoses de amor” (2023), sobre texto de Alexandre Honrado, revisita o mito de Zeus e Europa para interrogar as relações entre memória, violência e poder. O segundo, escrito em 2026 a partir de textos de Tiago Schwäbl, propõe uma viagem por uma sucessão de canções e imagens em permanente transformação, ao longo de catorze andamentos que passam por títulos como “O Chalé”, “A Escola”, “O Hospital” ou “As Estátuas”.
Entre o mito e o quotidiano, o passado e a imaginação, a observação e o desejo, a obra desenha uma cartografia instável, feita de aproximações, desvios e regressos. Por vezes lúdico, por vezes cáustico, o olhar que atravessa estes lugares inventa percursos e abre passagens entre mundos possíveis. Sara Ross assina ainda a dramaturgia do espetáculo.
