RTP1 apresenta nova série policial ‘Jones’: “Há muito mais na série do que apenas descobrir quem é o assassino, tem muito mais especificidades e particularidades, isso é só uma pequena parte da história.”

A RTP1 estreia amanhã, 28 de setembro, “Jones”, uma nova série de seis episódios criada e realizada por Bruno Gascon e protagonizada por José Pimentão, Laura Dutra e pela atriz britânica Amanda Abbington, conhecida por “Sherlock” e “Mr. Selfridge”.

A história começa numa luxuosa propriedade em Sintra, onde uma família poderosa se reúne para celebrar um noivado. A festa termina num homicídio e o inspetor Oliver Jones (José Pimentão), capaz de comunicar com os mortos, inicia a investigação com a ajuda de Júlia (Laura Dutra), a própria vítima.

Entre segredos familiares, traições e relações marcadas por tensão, Jones procura descobrir quem está por detrás do crime. A série combina a estrutura do mistério clássico, à semelhança dos romances de Agatha Christie, com humor negro, elementos sobrenaturais e drama familiar.

Produzida pela Caracol Studios, o elenco inclui ainda Rafael Morais, Ivo Canelas, Rui Morisson, Raquel Rocha Vieira, Paula de Magalhães, Afonso Lagarto, Margarida Moreira, João Cachola e Silvia Chiola.

Acede à entrevista ao realizador Bruno Gascon.

 

O que mais o fascinou na possibilidade de criar um policial em que a própria vítima entra na investigação?

O que mais me fascinou foi desconstruir um bocadinho a ideia daquelas séries que têm um grupo de pessoas quase estereotipadas à procura do assassino, mas fazê-lo de uma forma mais específica, dando-lhe essa densidade através de um investigador que fala com os mortos, que o ajudam a investigar as próprias mortes. Mesmo as personagens desta família são um bocadinho diferentes daquilo a que estamos habituados, não são estereotipadas, são personagens mais realistas, com as quais as pessoas eventualmente se poderão identificar.

 

Há uma clara inspiração no universo de Agatha Christie. O que quis trazer desse tipo de narrativa?

O que trouxe desse universo foi: acontece uma morte num cenário específico e aproveitamos bastante esse cenário para podermos contar esta história. São pessoas que não saem daqueles cenários e existe um detetive que anda à procura desse assassino, neste caso.

 

A atriz britânica Amanda Abbington entra na série e acrescenta uma dimensão internacional ao elenco. Como surgiu esta colaboração?

Acho que ter esse lado inglês é sempre importante neste tipo de séries e ela traz isso com ela, toda aquela postura e atitude, de forma a criar essa densidade que acho que esta série precisava. Ela interpreta uma personagem que é uma atriz a estudar e tem uma certa peculiaridade completamente diferente de todas as outras personagens.

A série terá seis episódios. Foi difícil condensar uma história com tantos segredos e personagens neste formato?

Eu não acho que seja difícil. É importante tentar condensar a história da forma mais sucinta e atrativa para as pessoas nestes seis episódios. Mas, se fizermos uma comparação com um filme, que normalmente tem entre 90 a 120 minutos, uma série permite ir buscar mais características das personagens que um filme não consegue dar. Um filme tem de ser muito mais objetivo e direto, portanto, nesse aspeto, a série é muito melhor.

 

Houve algum segredo ou mistério da série que tenha sido particularmente difícil de guardar sem ser revelado até ao fim? 

Não acho. Na minha escrita, tento sempre colocar-me na posição do espectador para perceber se estamos a dar demasiadas pistas, de forma a que as pessoas, no primeiro ou segundo episódio, não percebam logo quem é o assassino. Esta série tem muitas reviravoltas, as personagens vão-se transformando de tal maneira que, no início são uma coisa e, no fim, são outra. Isso vai fazer com que as pessoas fiquem sempre um bocadinho à toa com o que está a acontecer. Há muito mais na série do que só descobrir quem é o assassino. Tem muitas mais especificidades e particularidades, isso é só uma pequena parte da história.

 

Jones esteve no Berlinale Series Market 2026 e foi selecionada para o Festival de Televisão de Monte Carlo 2026. O que significa para si este reconhecimento?

Significa, acima de tudo, que estamos a fazer um bom trabalho. É sempre importante vermos o nosso trabalho reconhecido. Eu e o José Pimentão [protagonista da série] estivemos no Festival de Monte Carlo e sentimos todo esse reconhecimento das pessoas. É muito importante mostrarmos o nosso trabalho, até porque somos um país pequeno e estamos um bocadinho separados da cultura. E a história passa-se em Portugal: seria importante, não só sermos reconhecidos internacionalmente, mas também existir um maior reconhecimento do nosso trabalho no nosso país.  

 

Porque é que as pessoas devem ver e o que podem esperar desta série?

Nesta série temos uma morte, uma família disfuncional, um detetive que fala com os mortos, temos drama, humor, thriller e muitas reviravoltas. Nenhum episódio é igual. Essa continuidade que vemos do primeiro episódio até ao último vai ser completamente diferente em termos de ritmo, de géneros, de personalidade das personagens. Tudo isso vai mudar muito. Portanto, cada episódio é uma experiência completamente diferente.

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