Tainá Müller estreia-se na televisão portuguesa com a série Faro, da RTP

Tainá Müller interpreta Marta, uma mulher enigmática, sensual e determinada a acertar contas com o passado. Com uma carreira sólida no Brasil, que inclui projetos como Bom Dia, Verônica e O Outro Lado do Paraíso, Tainá destaca a importância de dar espaço a personagens femininas complexas e multifacetadas. Para a atriz, a televisão deve abrir espaço para histórias que reflitam a diversidade e a força da mulher contemporânea.

 

Esta é a sua primeira produção portuguesa. O que a atraiu no convite para integrar a série “Faro”?

Em 2008, gravei o início de uma novela brasileira em Portugal e me apaixonei pelo país. Desde então, qualquer oportunidade de voltar é sempre muito tentadora. Por isso, mantenho uma representação local, através da Hit Menagement. Quando recebi o convite para integrar uma série dirigida pelo Joaquim Leitão, com atores tão incríveis, quis muito viver essa experiência.

 

Como foi a experiência de gravar em Portugal?

Foi maravilhosa. A equipe me acolheu super bem e me senti em casa. Fiz amigos, troquei muitas ideias, fui feliz em cena e fora de cena, visitando lugares do Algarve e com uma rotina preenchida por grandes caminhadas em Faro, nos dias de folga.

 

A Marta é uma personagem complexa: sensual, poderosa, com um passado marcado pela revolução. O que foi mais desafiante para si neste papel?

O mais desafiador foi justamente fazer uma personagem que entrega muito pouco de si. A marta é, de certa forma, uma atriz também. Usa uma máscara dissimulada para proteger a sua verdadeira dor.

 

Nos últimos anos, participou em projetos muito diferentes. Que tipo de papéis a entusiasma mais neste momento da sua carreira?

Me entusiasma interpretar personagens profundas, contraditórias, que sejam luz e sombra, e que tragam algum tema que provoque reflexão. Mas também gostado muito das “dramédias”. Pude explorar esse lado na peça “Brilho Eterno”, baseada no filme, que teve uma ótima temporada no Brasil, e adoraria fazer algo nesse estilo agora no audiovisual.

 

Esta história cruza o Brasil e Portugal, tal como a sua própria trajetória neste projeto. Como viveu essa ponte entre países, línguas e histórias?

Acho que qualquer brasileiro em Portugal se conecta, de alguma forma, com a própria ancestralidade. Há algo de revelador sobre nós mesmos quando habitamos Portugal por um tempo. É como visitar a casa de uma avó: a gente se encontra entrelaçado com a história daquele lugar, parte de suas feridas, seus erros, mas também da sua luz.

Mas há também a língua portuguesa, que eu amo, com toda sua poesia curvilínea, que ganha novas nuances quando escutada em cada território. Atuar escutando o português de Portugal me desafiou e aguçou os meus sentidos de forma diferente em cena. Foi uma experiência multidimensional.

 

Que memórias leva desta primeira produção em Portugal, e o que gostava que o público português sentisse ao ver “Faro”?

Eu levo a memória de um trabalho muito querido na minha carreira, feito por profissionais apaixonados pelo que fazem, e que aborda temas tão pertinentes, como a especulação imobiliária, que desaloja a população local e descaracteriza os lugares – algo cada vez mais presente nesse mundo globalizado.

 

Como atriz, que importância dá à televisão como espaço para contar histórias com dimensão humana, como a de Marta?

Eu acho fundamental que a televisão se abra para personagens femininas complexas e multifacetadas, porque isso representa a diversidade da mulher de hoje. Fico feliz em poder levar para o público português essa personagem, com cara e voz do Brasil, mas totalmente inserida no Algarve.

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