Teatro Universitário do Porto apresenta “Contrafogo” em Matosinhos

Reprodução Facebook TUP - Contrafogo

O Teatro Universitário do Porto (TUP) estreia na terça o espetáculo “Contrafogo”, na Aurora da Liberdade, em Matosinhos, onde fica em cena até sexta-feira, para perguntar “como é que se foge de uma coisa que está agarrada a nós”.

“Uma conferência sobre caracóis e cavaleiros transforma-se na preparação de um combate. Para treinar o corpo contra o inimigo, reúne-se um grupo: no teatro-ringue, é preciso ensaiar o medo, espalhar a raiva, dar-se conta. O medo pode voltar, e é difícil dar forma, organizar os sentidos para nomear”, pode ler-se na sinopse do espetáculo.

“Contrafogo” tem criação e direção de Sandra Pinheiro, com apoio de Rui Resende, e cocriação de dezena de meia de intérpretes, provenientes do curso bienal gratuito que o TUP promove.

No centro da criação, que tem desenho de luz de Renato Marinho e sonoplastia de Mariana Leite Soares e Joana Rodrigues, está “uma dúvida que atravessa o tempo: como é que se foge de uma coisa que está agarrada a nós?”.

“É um espetáculo sobre fragilidade e violência, sobre os nossos sonhos e fantasmas, sobre as mesmas coisas de sempre. Quando nos tiram tudo, ainda há tempo. Há muito tempo ainda. Fraco desafia o forte; forte domina o fraco. Quem és tu, caracol-cavaleiro, que me desafias?”, questiona a companhia.

Sandra Pinheiro explica à Lusa que a criação reflete as muitas discussões que a equipa foi tendo com os que fizeram o curso bienal, que se juntou a um núcleo de associados do TUP e foi trabalhando e conversando sobre “vulnerabilidade, fragilidade, medos, e como isso se manifesta no quotidiano”, nesses dois anos.

“Mas também sobre resistência, sobre a possibilidade de continuar a avançar. São coisas muito fortes no nosso dia-a-dia, e parecem tomar conta da nossa vida de forma muito permanente”, acrescenta.

No auditório da Associação Recreativa Aurora da Liberdade, o espetáculo pode ser visto pelas 21:30 de terça a sexta-feira, colocando em cena Alexandre Gutta, Ana Marques, Bruno Chivas, Carito Valencia, Carolina Oliveira, Catarina Teixeira, Gil Gardner Gomes, Henrique Talina, João Falcão, Leonor Vitorino, Lúcia Santos, Marco Pedro Vasco, Matilde Marques Rodrigues, Nathália Simões e Pedro D’Elia.

O TUP, associação juvenil sem fins lucrativos, foi criado em 1948, completa este ano 78 anos de existência, e não tem de momento sala de apresentações própria, tendo levado diferentes produções a vários espaços diferentes nos últimos anos.

Em 2025, além dos espetáculos que apresentaram em Portugal, levaram “Amanhã, Amanhã, Amanhã” à Bélgica, ao festival internacional do Théâtre Universitaire Royal de Liège

Sandra Pinheiro lembra que a companhia saiu da antiga sede, em 2018, e atualmente encontra-se no número 289 da Rua dos Bragas, onde os seus elementos podem ensaiar, mas sem uma “solução” oferecida pela reitoria da Universidade do Porto.

“Parece-nos que vai ser uma situação que se vai prolongar por mais alguns anos, o que é mau para a nossa associação, porque neste momento não temos espaço de apresentação, e o nosso arquivo de 78 anos está em condições degradantes, com falta de espaço e de apoio para se salvaguardar”, lamenta.

De resto, o TUP está aberto a novos sócios e, com a conclusão do último ciclo do curso de interpretação, abrirá novas vagas para os próximos dois anos.

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