Temps d’Images apresenta 14 obras a partir de hoje em vários espaços de Lisboa

O Festival Temps d’Images vai cruzar cinema, performance, teatro, instalação e dois Estaleiros – encontros inéditos entre artistas de diferentes linguagens -, num total de 14 obras e uma conversa, onde se incluem sete estreias em Lisboa, uma reposição e uma antestreia.

O Festival decorrerá primeiramente entre 21 de maio e 7 de Junho e depois regressará de 8 a 31 de outubro. Como nos últimos anos, o festival decorre ao longo do ano em duas alturas específicas, “afastado de alturas de grandes movimentos culturais”, aponta Leonardo Garibaldi, produtor do festival desde 2023.

A programação da 24ª edição do festival inclui obras que “partem de arquivos pessoais e artísticos” e propõem “um percurso onde a memória, a intimidade e a imagem se entrelaçam como matérias instáveis, em constante reinvenção”, diz a organização.

O Festival, que teve a sua primeira edição em 2003, sempre se realizou na cidade de Lisboa, e mantém uma forte relação com a cidade. A presente edição irá ocupar espaços convencionais como o Cinema Ideal, Teatro Ibérico, Duplacena77, Centro Cultural de Belém, CAL — Centro de Artes de Lisboa, Rua das Gaivotas 6, Jardins do Bombarda, Associação NowHere Lisboa, Galeria Appleton, e também espaços não tão convencionais como o Planetário de Marinha e casas de habitantes de Lisboa, mediante inscrição prévia.

Em 2026, o Temps d’Images adota uma nova identidade sonora, da autoria da artista Surma, que já tinha participado em projetos anteriores do festival. A organização optou por escolher fazer uma mistura de várias propostas musicais enviadas pela cantautora. A nova identidade sonora reflete “a reaproximação à marca inicial” do festival, marcada pelo “encontro entre artes performativas, cinema e vídeo”. Outra das novidades do festival é nova identidade visual, a cargo da designer gráfica Inês von Hafe Pérez e de Miguel Santos.

Por opção da curadoria, constituída por Ana Calheiros, António Câmara Manuel, Leonardo Garibaldi e Maria João Garcia, o Temps d’Images não tem uma temática definida, pretendendo ser eclético. Segundo a organização, a programação do festival reúne “propostas temáticas, conceptuais e estéticas diversas, funcionando como um refletor da multiplicidade, da complexidade do mundo e das idiossincrasias dos tempos inquietos que se vivem”.

O Festival Temps d’Images é um franchising do festival homónimo francês, fundado pela La Ferme du Buisson que se espalha atualmente por onze países europeus. Prestes a iniciar a 24ª edição, o produtor Leonardo Garibaldi afirma que o festival acompanhou “uma grande evolução do audiovisual”, salientando a performance Through The Chiral Veil que conta com a utilização de realidade virtual. No entanto, reforça que “não é só a inovação tecnológica que interessa” ao festival, mantendo performances “mais analógicas” como Cão de Sete Patas de Bibi Dória.

Leonardo Garibaldi afirma que dada a “pequena escala do festival” continua a ser difícil trazer projetos internacionais para a programação. Todos os artistas presentes nesta edição são residentes em Portugal, muitos deles já tinham participado no festival anteriormente, sendo que todos os anos admitem receber “muitas propostas”.

No próximo ano, a organização prepara-se para festejar a 25ª edição do festival, querem “continuar à procura de projetos” de artistas com quem já trabalharam e encontrar novos artistas.

O Festival Temps d’Images conta com a produção de DuplaCena e Horta Seca e é financiado pela Direção Geral das Artes (Ministério da Cultura, Juventude e Desporto) e Câmara Municipal de Lisboa.

Aceda à programação completa do festival:

Fotografia: Carlos Carneiro

Quando os Anjos Falam de Amor (21, 22, 23, 24, 27, 28 e 29 de maio), é um espetáculo em que Henrique Furtado Vieira, Catarina Vieira, Leonor Mendes e Sérgio Diogo Matias entram em casas privadas previamente inscritas para uma performance-ritual dirigida a um máximo de seis habitantes. As pessoas puderam inscrever a sua casa através de um formulário online, sendo que as vagas esgotaram rapidamente. A obra convoca presenças invisíveis da intimidade, como lutos, memórias e sonhos, e abre espaço à escuta e à imaginação coletiva. Incursões anteriores deram origem ao documentário homónimo de Maria João Guardão, a apresentar em antestreia a 31 de maio, na Duplacena77, seguindo-se uma conversa moderada por Magda Henriques.

Fotografia: Má Criação

Hotel Paradoxo é uma experiência que cruza teatro, cinema e astrofísica, em que Alex Cassal nos põe a olhar para o céu durante uma hipotética viagem no tempo conduzida por Marco Mendonça no Planetário de Marinha a 21, 22 e 23 de maio, com duas sessões por dia às 19h e 22h. Bilhetes disponíveis aqui.

Fotografia: Alípio Padilha

A partir de fragmentos de diários, memórias e registos VHS, Rafa Jacinto e Carolina Cunha e Costa estreiam Duas Ratasa 22 de maio às 20h, e 23 de maio às 18h, na Rua das Gaivotas 6. A obra evoca a arte japonesa do kintsugi para reparar noções de casa e identidade e questionar papéis de género e restrições impostas às mulheres, como na escrita de Beatrix Potter. Bilhetes disponíveis aqui.

Fotografia: Gabriela Dória

“Como estará o passado no futuro?” é a pergunta que faz Pele Nómada, um road movie realizado por João Fiadeiro e Aline Belfort, que acompanha o percurso de Fiadeiro pelos espaços que a REAL ocupou na viragem do milénio, registando rituais de despedida e reencontro a caminho do arquivo do seu espólio em Serralves. Uma reposição em Lisboa em sessão única a 25 de maio às 19h, no Cinema Ideal. Bilhetes disponíveis aqui.

Fotografia: DR

Tiago Cadete apresenta a performance Souvenir, a 28 e 29 de maio às 21h, no Teatro Ibérico, onde investiga a história da migração da sua família paterna para França na segunda metade do século passado. Bilhetes disponíveis aqui.

Fotografia: Lucas Damiani

A 29 e 30 de maio, na Rua das Gaivotas 6, Bibi Dória revisita Copacabana Mon Amour, filme experimental de Rogério Sganzerla censurado no Brasil dos anos 1970. Com a performance Cão de Sete Patas mergulha no universo onírico da personagem principal, fundindo cinema, performance, ficção e documentário. Bilhetes disponíveis aqui.

A associação cultural Urso Pardo estreia o espetáculo Retroceder a 30 e 31 de maio às 21h, no CAL – Centro de Artes de Lisboa, que reflete sobre o próprio trajeto do grupo e sobre a construção coletiva de uma ideia de teatro para explorar novas possibilidades de caminho futuro numa ficção que questiona se a memória pode ser mais real do que a própria realidade. Bilhetes disponíveis aqui.

Em Ao longe, o fim do mundo, do coletivo Retorno Contínuo, com texto das irmãs Beatriz e Leonor Wellenkamp Carretas, um grupo tenta provar que a Terra é plana. No percurso da hipótese à verificação questiona-se se a ciência ainda é suficiente para explicar o mundo ou se devemos, como os terraplanistas, pôr em causa os nossos próprios sistemas de crença. A 5 e 6 de junho às 21h, no Teatro Ibérico. Bilhetes disponíveis aqui.

Fotografia: Alípio Padilha

Inspirado na obra do realizador Rainer Werner Fassbinder, o coletivo SillySeason celebra no palco do Centro Cultural de Belém um dos grandes gritos pelo direito fundamental ao amor a 6 de junho às 19h e a 7 de junho às 17h. O título do espetáculo, O direito do mais fraco à liberdade, aproxima-se do nome do filme de Fassbinder, substituindo a palavra “forte” por “fraco”. Bilhetes disponíveis aqui.

Fotografia: alxalmeida

Em outubro, regressam os Estaleiros – rizoma inicial do Temps d’Images reavivado nas últimas duas edições – onde se afirma explicitamente o risco e a experimentação como motores da criação. A atriz Andreia Farinha e a realizadora Leonor Teles encontram-se em Estaleiros a 8 e 9 de outubro, na Duplacena77, e a performer Joana Manuel e o realizador João Nicolau a 14 e 15 de outubro, na Galeria Appleton. É a primeira vez que se realizam dois momentos de Estaleiros numa edição do festival. Ao convocar encontros entre artistas de diferentes linguagens, que nunca tenham trabalhado juntos, Estaleiros propõe-se como um espaço onde não há garantias prévias, apenas a disponibilidade para escutar, falhar, negociar e descobrir em conjunto. Este processo criativo motiva a conversa Os Estaleiros e a criação às cegas? entre os quatro artistas e o público a 10 de outubro às 18h, na Duplacena77.

Fotografia: Rita Chantre – Beatriz Vasconcelos

Curarizar é o projeto que junta a Plataforma285 e a EMERGE numa colaboração que explora a paralisia para pensar em ação ou reação. A partir do espólio de uma companhia de teatro, criam-se novos objetos numa exposição que destrói para recriar e curar. De 24 a 31 de outubro disponível das 16h às 20h, na Associação NowHere Lisboa.

Fotografia: Mariana Marques

E a encerrar o Temps d’Images 2026, a 30 e 31 de outubro, estreia-se na sala Valentim de Barros – Jardins do Bombarda Through The Chiral Veil, instalação de Filipe Baptista e Sara Abrantes que cria paisagens sinestésicas, onde quatro visitantes por sessão podem estabelecer uma relação íntima com um lugar sonhado, num diálogo entre o universo virtual e a matéria física do espaço.

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