The Last Sunrise

Chegou à Prime Video, no dia 26 de agosto, o aguardado filme The Last Sunrise, realizado por Carlston Young e adaptado do livro homónimo de Anna Todd.

Ry (Maia Reficco) é uma jovem com epilepsia que viaja com a mãe, interpretada por Eva Longoria, para a ilha de Maiorca. Durante as férias, conhece Júlian (Fernando Líndez), um jovem pescador por quem acaba por se apaixonar. O encontro entre os dois segue a fórmula já conhecida de enemies to lovers, dando início a um romance que rapidamente se torna o centro da narrativa.

Ao longo de uma hora e quarenta e sete minutos, The Last Sunrise aposta fortemente na componente visual. As paisagens de Maiorca são, sem dúvida, um dos grandes trunfos do filme. Os planos da ilha, do mar e das suas paisagens naturais criam uma atmosfera quase idílica, que contrasta com a fragilidade da protagonista. Por momentos, a beleza dos cenários consegue mesmo fazer-nos esquecer a doença de Ry, embora a epilepsia seja, simultaneamente, um dos elementos fundamentais da narrativa.

É neste contraste que o filme encontra um dos seus maiores equilíbrios. Entre momentos leves, românticos e divertidos e outros emocionalmente mais pesados, The Last Sunrise procura conduzir o espetador entre o riso e as lágrimas. A banda sonora, contemporânea e adequada ao tom jovem da história, acompanha eficazmente essas mudanças de registo e contribui para reforçar a atmosfera romântica.

As interpretações de Maia Reficco e Eva Longoria constituem outro dos pontos fortes do filme. A relação entre mãe e filha é construída através de uma dinâmica marcada pela excessiva proteção, devido à sua doença. Esta relação torna-se particularmente importante para compreender a protagonista e as suas escolhas de querer viver uma vida independente ao longo da história.

No entanto, algumas das personagens secundárias ligadas a Júlian poderiam ter sido mais desenvolvidas, uma vez que as suas motivações nem sempre são suficientemente explicadas. Como consequência, determinadas decisões parecem, por vezes, forçadas e fica a sensação de existir uma história paralela por contar, que poderia ter acrescentado profundidade ao universo de Júlian e enriquecido a narrativa principal.

Também o próprio enredo acaba por recorrer a algumas fórmulas bastante conhecidas. A relação entre uma jovem proveniente de uma família rica americana e um pescador de origens humildes sedutor espanhol, acompanhada por conflitos empresariais e familiares, acaba por tornar o enredo do filme algo genérico e previsível. Falta-lhe, em determinados momentos, uma identidade narrativa mais própria que o distinga de outras histórias semelhantes.

O final, apesar de ligeiramente previsível, consegue ser mais feliz quando comparado com outros romances que abordam doenças e perda, como A Culpa é das Estrelas. Mais do que se centrar exclusivamente na doença de Ry, o filme utiliza a possibilidade de perder as memórias para refletir sobre aquilo que permanece quando as lembranças desaparecem.

É nesta reflexão que The Last Sunrise encontra uma das suas ideias mais interessantes. A mensagem sobre o valor de viver o amor e criar memórias, mesmo quando existe o risco de estas um dia desaparecerem, aproxima-se de algumas das temáticas exploradas por Matt Haig em obras como A Biblioteca da Meia-Noite e O Comboio da Meia-Noite. Apesar de recorrer a uma premissa algo genérica, o filme consegue encontrar na relação entre a memória e o amor uma dimensão emocional que vai além do romance entre os protagonistas.

Crítica de Jorge Tabuada

PUBLICIDADE
Deixar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscreve e acede a conteúdo exclusivo!

Ao pressionar o botão de subscrição, confirmas que concordas com a nossa Política de Privacidade e Cookies