“Senhores passageiros, o comboio com destino ao Porto, procedente de Portimão, vai dar entrada no concerto de Edmundo Inácio. Boa viagem!”
O concerto de Edmundo Inácio foi muito mais do que um simples espetáculo, foi uma verdadeira viagem emocional do início ao fim. Logo na abertura, com a conhecida “mensagem de estação” a anunciar a chegada do “comboio”, ficou claro que o público estava prestes a embarcar numa experiência única. E que viagem foi!
Sempre bem-disposto e com uma ligação genuína ao público, Edmundo conduziu a noite com uma energia contagiante, levando todos a cantar e dançar sem parar. A proximidade foi constante: desde o momento em que convidou alguém da plateia a subir ao palco para o seu único dueto, à partilha de histórias pessoais e emocionantes, como a de Marcelina, até às interações espontâneas e bem-humoradas que arrancaram sorrisos.

Um dos momentos mais marcantes aconteceu no encore, muito pedido pelo público. Sozinho ao piano, interpretou “A Carta” de forma despida e honesta. Uma música particularmente especial para o artista, visivelmente emocionado, que retrata a dura realidade da dificuldade de muitos jovens em comprar casa.
O final fez-se em festa, com o grande sucesso “Terra” a ser cantado em coro, num ambiente de celebração e comunhão. Entre danças, vozes roucas e sorrisos, ficou a sensação de que ninguém queria sair dali.
Nos agradecimentos, Edmundo Inácio disse que estava a viver o seu sonho “fazer música para as pessoas cantarem” e provou ser não só um excelente músico, mas também um contador de histórias e um verdadeiro criador de momentos.
Foi um concerto em que se sentiu, que se viveu e irá ficar na memória.
