O espetáculo “Uma Casa, Com Certeza”, de Constança Bourgard, vencedor da 8.ª edição do Prémio Miguel Rovisco – Novos Textos Teatrais, estreou a 10 de setembro, no Teatro da Trindade INATEL, em Lisboa. Conta com encenação de Miguel Fragata e o elenco é composto por Ana Valentim e André Leitão.
A peça transforma a Sala Estúdio num apartamento T3 com vista para o Tejo, recém-comprado por um jovem casal. “O ponto de partida é a crise da habitação e há também esta ironia de estarmos no centro do Chiado, que é o furacão da especulação imobiliária hoje em Lisboa”, diz o encenador Miguel Fragata.
A partir deste cenário, “Uma Casa, Com Certeza” aborda os desafios de uma relação amorosa num contexto marcado pela crise da habitação e pelas expectativas sociais associadas à vida a dois. “Há questões políticas que são muito discutidas pelas duas personagens, questões económicas, sociais e pontos de partida muito diferentes que separam as personagens”, acrescenta o encenador.
Com humor e uma forte componente dramatúrgica, o texto questiona o custo de “viver juntos” e explora temas como os desafios da construção de uma relação, os papéis sociais atribuídos ao casal e as expectativas individuais de sucesso. “Em todas as relações, as pessoas terão as suas diferenças de maneira de pensar, mas há sempre alguma coisa que as une. E às vezes, necessariamente, não é aquilo que deveria unir no casal. Nós quando terminamos de ler este texto, até pensávamos: como é que isto é um casal?”



Durante o espetáculo, o palco é transformado numa autêntica casa em construção, onde são expostas as fragilidades da relação amorosa e da ideia de casa. “Os caixotes também estão muito ligados à mudança e à construção da casa. Há uma degradação da relação à medida que a casa se vai construindo. Vai crescendo a tensão e a dificuldade da relação entre estas personagens, é uma espécie de espelho das cenas que vão acontecendo”, revela o encenador. “A casa tem aqui um peso muito forte”, assumindo o papel de terceira personagem da peça, que implica reunir a intimidade de duas pessoas.
Na Sala Estúdio, o público é, assim, convidado a acompanhar de perto a intimidade do casal. “Esta sala tem um grande desafio e, ao mesmo tempo, uma oportunidade que acho que é impossível passar por cima. Há esta proximidade, são 50 pessoas que aqui estão a assistir a este casal. Portanto, era importante também brincar com isso”, diz o encenador.
O ator André Leitão acredita que o público se irá identificar com este espetáculo e a história deste casal. “Haverá casais que se relacionem e identifiquem ou até que se incomodem com algumas coisas que aconteçam aqui, porque se revêem nelas. Acho que trata de forma leve, mas bem certeira, questões que são verdadeiras.”, afirma o ator André Leitão.
“Acho que é um excelente ponto de partida para as pessoas chegarem a casa e conversarem com os amigos e a família, sobre coisas que não estão certas. Há aqui coisas que são ditas com leveza, mas que depois na ação percebemos que não devia ser assim”, acrescenta.
Produzida pelo Teatro da Trindade INATEL, a peça estará em cena na Sala Estúdio até 25 de outubro, de quarta-feira a domingo, às 19h. No dia 11 de outubro, realiza-se uma conversa com o público após o espetáculo.



